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Entrevista da semana

Família Barros e a história na motovelocidade brasileira

César Barros, irmão do piloto Alexandre Barros revela detalhes de como a motovelocidade esteve sempre presente na família

27 Jul2015Mariana Castelar, especial para o DD09h30
César conta para Diário Digital a história da família Barros
  • César Barros, irmao de Alexandre e que trabalha com ele na equipe BMW Motorrad Petronas Racing
  • César conta para Diário Digital a história da família Barros
  • Alexandre Barros durante treinos classificatórios da Moto GP 1000
  • Ex-piloto, Alexandre Barros durante o evento de motovelocidade, na Capital
  • Dono de um açougue na região do Santo Amaro, em São Paulo, Antônio Barros era ciclista e tinha paixão por moto
  • César Barros já pilotou no Autódromo Internacional de Campo Grande e sofreu um acidente durante a segunda etapa do Campeonato Brasileiro de Motovelocidade, em 2002
  • Essa paixão fazia parte das nossas vidas desde 77, conta o ex-piloto se referindo a motovelocidade
  • César Barros trabalha ao lado do irmão na equipe Alex Barros Racing
  • Falei bastante coisa pra você, mas poucas pessoas sabem dessa história, brinca César durante entrevista
  • César começou a competir aos oito anos de idade
  • “Conversa com ele. O César fala melhor e é mais técnico do que eu”, diz Antônio Barros antes no início da entrevista
  • César correu no Brasil pela última vez em 2003
  • O objetivo do GPR 250cc é que daqui cinco ou seis anos, a equipe consiga criar um brasileiro para levar o Mundial de Moto GP

“Conversa com ele. O César fala melhor e é mais técnico do que eu”, diz Antônio Coelho, o patriarca da família Barros que ficou boa parte da entrevista ao lado do filho “ajustando” algumas informações.

Dono de um açougue na região do Santo Amaro, em São Paulo, Antônio Barros era ciclista e tinha paixão por moto. Todas as quintas ele treinava as duas modalidades no período da manhã e tarde, respectivamente. Quando deu de presente a Alexandre uma mini moto jamais poderia imaginar que seu filho, que naquela época estava com três anos, seria um dos melhores pilotos de moto do mundo. Em entrevista ao Diário Digital, César Barros, irmão de Alexandre nos conta que a história da motovelocidade está diretamente ligada a sua família.   

DD – Seu pai foi o precursor do esporte na família. Como essa paixão foi inserida na vida de vocês?

Meu pai era ciclista, corria de bicicleta pela equipe Monark. Naquela época começava a se falar de ciclomotor, a popular Mobilete.  E em 1978, tinha uma moto chamada PUC que ganhava todas as competições. Então, a Caloi, que era importadora da marca Mobilete começou a importar este veículo e precisava de um piloto jovem e leve para representá-los nas corridas. Aos três anos, Alexandre ganhou uma mini moto do nosso pai, e todos os domingos, a família tinha tradição de passear na USP.  O Alexandre sempre levava a motinha dele. Meu tio, que conhecia a pessoa que estava a procura de um piloto falou do sobrinho que já andava em uma motinha. Com receio da mulher, o pai tentou impedir que Alexandre realizasse o teste, mas o amor pelo esporte falou mais alto. Aos sete anos, Alex faz um teste em uma mobilete na pista de Interlagos enquanto nosso pai o acompanhou de bicicleta. Os patrocinadores gostaram do desempenho do meu irmão nas pistas. Com contrato assinado, o tradicional passeio aos domingos na USP continuava, mas o foco do nosso pai, que sempre foi perfeccionista e se dedicava no que fazia, era treinar o Alex. 

Alex já ganhou sua primeira corrida, em 1978. Dali em diante, meu pai foi se dedicando e se envolvendo cada vez mais no esporte. Ele fazia tudo aquilo por amor ao esporte, jamais imaginou que chagaríamos até aqui.

DD – Como foi a ida do Alexandre para a Europa e o título de piloto mais jovem a ingressar na categoria máxima na época?

Essa oportunidade surgiu em 1985, depois dele ter ganhado diversos campeonatos em várias categorias no Brasil. Naquela época as fábricas só vendiam a moto para um piloto se ele fosse rápido, por isso era necessário realizar um teste, não adiantava ir com o dinheiro. No final daquele ano meu pai e o Alexandre enfrentaram o inverno europeu para realizar o teste. Aprovado, nosso patrocinador comprou a moto e montou a primeira equipe brasileira no ano seguinte.  Para participar do Mundial, os pilotos tinham que ter 16 anos, mas o Alexandre só atingiria esta idade em outubro. Com a ajuda da Confederação Brasileira de Motociclismo (CBM) na época, ele conseguiu participar do evento.

Durante os dois anos que ficou lá Alexandre ganhou espaço. Quando ele quis comprar uma moto melhor, não conseguiu porque a empresa só vendia para pilotos que eram espanhóis. Em 1988, meu irmão volta para o Brasil e é chamado para correr o campeonato em Goiânia como convidado na categoria 250cc e corre por um ano. Em 1990, Alexandre é convidado por uma equipe para correr na maior categoria da época, a 550cc. Ele assina o contrato e entrou para a história como o piloto mais jovem a estar numa equipe de fábrica e a competir naquela categoria.

DD – E quando começa a sua história na motovelocidade?

Quando o Alexandre competiu pela primeira vez aos sete anos, eu tinha cinco. Como o esporte já estava na família, meu pai fez uma mobilete completamente diferente da convencional daquela época. Era algo bem especial e caprichoso. Em 1981, começo a correr aos oito anos de idade. Fui campeão paulista e o Alexandre foi vice. Neste mesmo ano tive um problema ósseo, de nascença. Os médicos disseram que eu teria que ficar em repouso por dois meses, mas na verdade fiquei um ano e três. Nesse tempo acompanhei meu irmão, fazendo parte da equipe junto com meu pai. Era sempre nós três e um mecânico.  

Em 1997, eu volto a correr. A Honda Brasil cria uma categoria 125 moto especial, que eram iguais as motos do mundial. Em 2000, fui para a categoria 600 Super Esporte, categoria máxima no Brasil. No ano seguinte corri o Mundial 250 pela Yamaha. Em 2002, corri no Campeonato Espanhol e no Brasil. Em 2003, foi meu último ano correndo no Brasil.

DD – E quando vocês pararam de correr de quem foi a ideia de montar a equipe?

Sempre estivemos envolvidos com moto. Essa paixão fazia parte das nossas vidas desde 77. Quando saímos das competições surgiu uma proposta do Alexandre com o Gilson Scudeler em montar o Campeonato Moto 1000 GP na temporada de 2011. Os dois então montaram o evento juntos e meu irmão se tornou sócio do Gilson nesta empreitada. No ano seguinte, o Alexandre decidir montar uma equipe, e saiu da organização do Campeonato, que hoje é realizada somente pelo Gilson. 

Com a equipe já formada, meu irmão ganha a competição na principal categoria em 2012 e 2013, com o piloto Luciano Ribodino. Em 2014, a equipe conquista o título com o francês Matthieu Lussiana, que este ano segue como o líder da temporada.

DD – E o projeto GPR 250cc, como surgiu? 

O presidente da Estrela Galícia apresentou o projeto ao Alexandre, que gostou muito da ideia.  A categoria conta com meninos de oito a 17 anos. Essa meninada é o futuro do esporte, por isso a objetivo é que daqui cinco ou seis anos, a equipe consiga criar um brasileiro para levar o Mundial de Moto GP. Quem sabe possamos ter mais pilotos no Mundial além do Eric Granado?

Perfil - Cesar Barros é ex-piloto de moto e irmão caçula de Alexandre Barros. Já pilotou no Autódromo Internacional de Campo Grande e sofreu um acidente durante a segunda etapa do Campeonato Brasileiro de Motovelocidade, em 2002. César tentava ultrapassar um retardatário numa curva, na corrida da categoria Supersport, a principal do motociclismo nacional, quando perdeu o controle da moto. Em 2003, parou de correr. Desde então, trabalha ao lado do irmão na equipe Alex Barros Racing. 

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