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14 de novembro de 2019 • Ano 8
Diretor de RedaçãoUlysses Serra Netto
Três Lagoas

Russos reafirmam interesse na fábrica de fertilizantes da Petrobras

Após o fechamento do contrato, multinacional Acron retomará as obras no prazo de um ano

19 Nov2018Da redação19h21

A multinacional russa Acron avançou nas negociações com a Petrobras nas tratativas que envolvem a aquisição e conclusão das obras da UFN 3 (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados), em Três Lagoas. “Os executivos da Acron nos procuraram para colocar o Governo do Estado a par do processo relativo à aquisição da UFN 3. Segundo a multinacional russa, a partir do momento em que eles fecharem o contrato com a Petrobras, devem retomar as obras da fábrica no prazo de um ano”, afirmou aime Verruck, titular da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro).

Segundo o secretário, os russos disseram que há uma certa preocupação com a demora na consolidação desse processo, que ainda depende de questões judiciais, mas as sinalizações do presidente eleito têm surtido efeito positivo. “A Acron também nos informou que deverá contratar empresas brasileiras para concluir a obra. Esta, depois de iniciada, deve demorar mais um ano para ser concluída. A estimativa do Governo do Estado é de que seja necessário o investimento de US$ 1 bilhão para o término da fábrica”, informou.

Ainda de acordo com ele, “toda situação documental envolvendo a administração estadual e a Petrobras está em ordem. Vamos agora intensificar a ação política junto ao Governo Federal, em parceria com a bancada do Estado, para que esse processo de investimento da Petrobras seja finalizado. A conclusão da obra dessa indústria de fertilizantes é considerada prioridade pelo Governo do Estado por sua importância estratégica sob o ponto de vista do desenvolvimento econômico”. Quando entrar em operação, a UFN 3 deverá produzir 1,2 milhão de toneladas/ano de ureia. A demanda brasileira, no entanto, chega hoje a 6,7 milhões de toneladas/ano de ureia.

“De olho nesse mercado, a Acron já iniciou as conversações com a YPFB, estatal boliviana que atualmente produz 1 milhão de toneladas/ano de ureia na planta de Bulo Bulo. Os russos já tratam da possibilidade de criar uma ‘joint venture’ com os bolivianos para atender o mercado de ureia brasileiro. A perspectiva é de que Mato Grosso do Sul se torne um polo estratégico na questão da ureia”, finalizou o secretário Jaime Verruck.

Petrobras e Acron - Em maio deste ano, as negociações entre a Petrobras e a Acron foram anunciadas pela estatal em comunicado de Fato Relevante referente ao processo de alienação integral de sua participação acionária na UFN 3. No comunicado, a Petrobras informava que a Acron é uma empresa Russa com foco na produção e comercialização de fertilizantes, com vendas em mais de 60 países. Em 2017, o volume de vendas atingiu mais de 7,3 milhões de toneladas, com receitas consolidadas de US$ 1,6 bilhão e EBITDA de US$ 511 milhões de acordo com o International Financial Reporting Standards (IFRS). A Acron é uma sociedade anônima de capital aberto, com ações negociadas na Bolsa de Valores de Moscou e de Londres.

As obras da fábrica em Três Lagoas começaram em 2011 e foram paralisadas em dezembro de 2014, com 81% concluídas, quando a estatal rescindiu contrato com o consórcio responsável pela construção alegando não cumprimento do contrato. Assim que concluída, a unidade terá capacidade para produzir 3.600 toneladas/dia de ureia, 2.200 toneladas/dia de amônia e 290 toneladas/dia de gás carbônico.

Na semana passada, durante reunião na Semagro, os executivos da Acron, Ivan N. Antonov (CEO Advisor) e Georgy Kaptyushkin, do Departamento de Desenvolvimento Corporativo, expuseram a situação atual do processo com a estatal brasileira. Além de Jaime Verruck, participaram do encontro o presidente da MSGÁS, Rudel Trindade; o superintendente de Indústria, Comércio, Serviços e Turismo da Semagro, Bruno Gouvêa; e da coordenadora de Cooperação Internacional e Comércio Exterior, Camila Tiemann.

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