Campo Grande •24 de Junho de 2017  • Ano 6
OrganizaçãoIvan Paes BarbosaDiretor de RedaçãoUlysses Serra Neto

Da redação | Quarta, 17 de Maio de 2017 - 10h03Embrapa desenvolve alimentos de pescado pantaneiroPara pesquisadores processamento de alimentos pode gerar renda para pescadores

Processamento de alimentos pode gerar empregos
Processamento de alimentos pode gerar empregos (Foto: Jovana Garbinelli)

Carnes defumadas, nuggets, hambúrgueres, patês, quibes e marinados feitos de pescado do Pantanal foram desenvolvidos pela Unidade de pesquisa da Embrapa em Corumbá, Mato Grosso do Sul, em parceria com o Centro de Pesquisas do Pantanal (CPP). Utilizando espécies nativas, o projeto busca agregar valor aos produtos da pesca na região. “Existe uma cadeia, embora incipiente, de produção de pescado aqui. Ela é muito tradicional, porém não há muita regularidade em função das condições ambientais locais. Além disso, a gente observa que o valor pago aos pescadores dentro da cadeia é muito baixo pelo peixe inteiro e eviscerado”, diz Jorge Lara, pesquisador da Embrapa Pantanal. “Uma forma de aumentar a produção e agregar algum valor a ela é processar o produto”.

De acordo com Lara, que lidera as pesquisas na área, alimentos processados de pescado pantaneiro são voltados a consumidores de todas as idades. “As crianças, muitas vezes, rejeitam peixe. Nem todas gostam do cheiro ou do sabor do filé. Processando essa carne em um produto como o empanado, é possível retirar um pouco do odor e sabor característicos e a criança se torna mais interessada”, acredita. “Com esse projeto, buscamos mostrar a viabilidade, a possibilidade de se produzir de maneira sustentável, diversificar a produção, levar proteína de qualidade para crianças e adultos e, ao mesmo tempo, garantir renda além do auxílio recebido pelos pescadores no período de defeso”.
 

O pesquisador ressalta que as espécies utilizadas na fabricação dos produtos variam entre as mais tradicionais, como o pacu, pintado e cachara, e algumas diferenciadas, menos conhecidas pelo público em geral: piavuçu, palmito, barbado e jaú. “Esses outros peixes não são tão visados por conta da cultura local. Você quase não os vê no comércio. Os restaurantes da região sempre oferecem pratos como pintado ao urucum ou costela de pacu”, diz. O pesquisador Paulo Teixeira, um dos fundadores do CPP, ressalta que o uso de espécies menos visadas pelo mercado favorece o equilíbrio das populações de peixes nos rios. “O desenvolvimento de produtos a partir de espécies de peixes pouco exploradas contribui para reduzir a sobrepesca em espécies como o pintado e o pacu”.
  

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