Campo Grande •19 de Outubro de 2017  • Ano 6
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Valdelice Bonifácio | Segunda, 7 de Agosto de 2017 - 14h00Militância do mel tenta alavancar apicultura em MSEstado tem potencial de 'paraíso da apicultura', mas setor precisa se organizar

  
Atualmente, cooperativa processa 15 toneladas de mel por ano, mas a capacidade é para 100 toneladas (Foto: Divulgação)
  • Atualmente, cooperativa processa 15 toneladas de mel por ano, mas a capacidade é para 100 toneladas
  • Cláudio Ramires Koch, presidente da Federação de Apicultura e da Cooperams (Foto: Marco Miatelo)
  • Rafael Moya consultor da federação (Foto: Marco Miatelo)
  • Mel produzido pela Cooperams está abrindo mercado (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Divulgação)
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  • (Foto: Marco Miatelo)
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A apicultura sul-mato-grossense está no topo de um importante ranking do segmento, a produtividade das colmeias. Em MS, cada colônia produz, em média, 50 quilos de mel por ano, quando a média nacional é de 17 quilos. Tal desempenho se deve principalmente  à existência de florestas. Mas, apesar do cenário natural privilegiado, o Estado ainda precisa avançar em produção, o que só será possível com a organização do setor, acredita o presidente Federação de Apicultura e Meliponicultura do Mato Grosso do Sul (Feams) Cláudio Ramires Koch. Ele próprio deu passos neste sentido ao fundar a CooperaMS, uma cooperativa de produtores de mel no município de Três Lagoas, da qual também é presidente.

Em 2016, MS produziu 600 toneladas de mel, quando o estado do Piauí, cujas condições naturais são menos favoráveis, teve desempenho bem superior e segue na liderança do setor. Só município de Picos, um dos destaques piauienses, produziu 950 toneladas de mel e faturou mais de R$ 10 milhões com exportação. Os bons resultados devem-se à organização das cooperativas de apicultores. "Bem por isso, fizemos uma visita ao Piauí. É incrível o que aquelas pessoas em seus modos simples estão conseguindo fazer. É trabalhoso, os produtores andam longas distâncias para fazer o manejo. A disposição de cada apicultor atuando de forma associativa alavancou o setor. É algo que nos inspira", enaltece Cláudio.

A CooperaMS tem dois anos de funcionamento e 25 cooperados associados. O entreposto do mel da cooperativa fica no Distrito de Arapuá. A CooperaMS se estruturou graças a um investimento de R$ 659 mil vindo do BNDES a fundo perdido (sem necessidade de devolução). Com o recurso foi adquirida uma centrifugadora automática de 120 quadros que processa até 240 quilos do produto. "Atualmente, a cooperativa processa 15 toneladas de mel por ano, mas nossa capacidade é para 100 toneladas. Por isso, estamos em busca de novos associados. Queremos chegar ao final do ano com 100 pelo menos", relata.Cooperados decidem - Cláudio explica que na CooperaMS o espírito e as regras do coorporativismo são aplicados verdadeiramente. "Fazemos as assembleias e os cooperados é que decidem os próximos passos e destino do dinheiro. Se quiserem a gente investe, ou se preferirem o lucro é dividido", comenta. O presidente da cooperativa explica que uma das dificuldades em trabalhos associativos no Brasil é a falta de uma cultura de cooperação. "As pessoas estão mais focadas em competir do que em cooperar umas com as outras. Porém, a experiência do Piauí é uma prova de que se associar pode ser bom para todos", defende.

O desempenho do Piauí se deve a uma grande ação de mercado que uniu e capacitou os pequenos produtores de mel daquele estado, com apoio do Sebrae e poder público local. Com isso, o mel piauiense ganhou reconhecimento pela qualidade e a estabilidade da produção abriu portas no mercado mundo afora.

Cláudio Koch é de família de apicultores. O pai dele Rubens Ramires Koch produz mel há 40 anos, tendo começado na atividade pouco depois da criação de MS. Cláudio tentou desvio da vocação familiar trabalhando como publicitário por muitos anos, mas hoje vive inteiramente para o desenvolvimento da apicultura e quer fazer do Estado destaque nacional, através do caminho cooperativista. Cooperatismo é o futuro - Um dos associados da CooperaMS José Carlos Araújo, conhecido como Zeca, e presidente da Associação Três –Lagoense de Apicultures (Atla), afirma que o cooperativismo é o futuro. “A sociedade civil organizada consegue ser mais ouvida, é nós como apicultores só conseguimos acessar a algumas políticas públicas depois de associarmos, condição indispensável para acessar as nossas florestas (pasto apícola ) por meio de parcerias com empresas de reflorestamento”, relata.

Como Zeca mencionou para ser apicultor, não é preciso ser dono de terras. Uma possibilidade é negociar o espaço com o proprietário da área para instalar apiários no local. “Associação tem um contrato de parceria com as empresas de celulose e utilizamos as áreas rurais destas empresas como pasto apícola”, detalha. Vale mencionar que é recomendável manter uma área de segurança de 200 metros que é a distância que a abelha costuma atacar.

Zeca é apicultor há sete anos e começou na atividade inspirado por um irmão que já estava no ramo há 15. Ele ainda não consegue viver só da apicultura, tanto que trabalha como sushiman no período da noite para complementar a renda. Porém, desde que o cooperativismo começou a vingar em Três Lagoas, ele viu renovadas suas esperanças de ser um bem sucedido apicultor. “Hoje através da cooperativa pouco a pouco colocamos nosso produto no mercado”, valoriza.Além de Três Lagoas - A Cooperams, aliás, já está tratando de se expandir para além das fronteiras três-lagoenses. Na semana passada, foi celebrada uma parceria com Prefeitura de Ribas do Rio Pardo. A cooperativa vai instalar no município uma unidade de extração de mel.

Em MS, a apicultura é uma atividade essencialmente familiar. Conforme a Federação, atuam no Estado cerca de 700 apicultores, de forma que ao todo, 2,8 mil pessoas estão envolvidas na atividade em território sul-mato-grossense, se considerado o número de quatro pessoas por família.

No dia 31 de julho, o Diário Digital publicou reportagem sobre uma bem sucedida indústria familiar do setor. O Apiários Vovô Pedro, em Campo Grande, vende 300 toneladas de mel por ano, num negócio que já está chegando a quarta geração da família.

Paraíso da Apicultura - Para Cláudio, MS vive momento favorável para a expansão da atividade. Além das reservas legais que garantem florestas de onde as abelhas poderão retirar néctar abundante para a produção de mel, o Estado tem também à disposição grandes plantações de eucalipto com floradas aos enxames. "Temos tudo. Estamos no paraíso da apicultura. Só nos falta união e organização", analisa. Outro estímulo para a apicultura é seu caráter sustentável. Atuar numa atividade que preserva a natureza é algo que provoca orgulho, sendo mais um fator importante na militância do mel em MS. "Há previsões de especialistas que apontam que o Cerrado poderá desaparecer até o ano de 2040. A apicultura pode impedir que isso se confirme. As abelhas são os melhores polinizadores que existem. Eles podem vencer o desmatamento", afirma Rafael Moya consultor da federação.

Contudo, a atividade de impactos ambientais positivos também sofre as consequências do uso de agrotóxicos em lavouras. "No Estado, já tivemos casos de apicultores que perderam suas abelhas devido aos produtos usados em plantações de cana ou lavouras de soja. É outra situação que temos que enfrentar pelo bem da apicultura e do meio ambiente", comenta Rafael.

Outro desafio dos militantes do mel é formar novos consumidores do produto. Hoje, o consumo de mel no País é considerado muito pequeno. Em média, cada brasileiro consome 400 gramas de mel por ano, contra oito quilos na Alemanha, por exemplo. "Hoje, ainda não se tem o hábito, no Brasil, de passar o mel no pão como se fosse manteiga. As pessoas usam mais por questões medicinais. Temos que formar novos consumidores, a começar pelas crianças", diz Cláudio.

Em Três Lagoas, conforme o dirigente, a prefeitura faz a parte dela, oferecendo mel na merenda dos estudantes da rede pública de ensino. Na Capital, também existem iniciativas similares. A Creche Zé Du, no Parque dos Poderes, oferece mel para as crianças.

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