Campo Grande •17 de Outubro de 2017  • Ano 6
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Laureano Secundo | Segunda, 24 de Julho de 2017 - 08h13Junho tem queda no comércioTransações entre empresas é o fator de maior preocupação

Queda de movimento entre meses de maio e junho já foi detectada
Queda de movimento entre meses de maio e junho já foi detectada (Foto: Arquivo Diário Digital)

O levantamento do Movimento do Comércio Varejista (MCV) produzido pela Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) mostrou que, o mês de junho atingiu 89 pontos, indicando queda nas vendas em relação ao mês de maio (96). O resultado também ficou dois pontos abaixo do apurado no mesmo período de 2016 (91). A média do primeiro semestre de 2017, porém, foi superior ao do ano passado.  

“A média do primeiro semestre deste ano foi de 89 pontos, contra 86 no mesmo período em 2016. Esse resultado demonstra alguma melhora nas condições gerais, mas geram preocupações aspectos como a lenta retomada do consumo e o comportamento do nível de emprego. As alterações na legislação trabalhista são os componentes importantes e que têm a possibilidade de alterar o comportamento dos investimentos no segundo semestre”, explica o economista-chefe da ACICG, Normann Kallmus.

O MCV/ACICG é um índice apurado a partir da evolução dos dados do setor, englobando as transações realizadas entre empresas e também entre consumidores e o comércio. Considerando a sazonalidade característica da atividade comercial, o MCV foi desenvolvido com base fixa definida pela média do desempenho do ano de 2014. O Índice é composto de dois outros sub índices que ajudam a avaliar sua evolução: o MCV-PF, que analisa as transações entre Pessoas Físicas e as empresas do setor terciário, e o MCV-PJ, que avalia as transações entre as empresas.

O MCV-PF de junho foi de 92 pontos, o mesmo de 2016, mas menor que o registrado em 2015 (103), e maior que o registrado 2014 (88). “Novamente o desempenho desse indicador não foi suficiente para gerar um crescimento em relação ao ano passado”, completa Kallmus.

 

No levantamento, o movimento do comércio entre empresas (MCV-PJ) tem se mostrado o fator de maior preocupação.  O MCV-PJ de junho foi de 69 pontos, contra 86 em junho de 2016, e 91 em 2015. “Este continua sendo o maior problema registrado na análise do mês, que corrobora a tendência que temos observado nos últimos meses. O comportamento desses indicadores, aliado ao desempenho do CAGED no estado e no município, reforçam nossas análises anteriores que apontavam alterações significativas no comportamento das empresas do setor, que é responsável por mais de 75% do PIB em valores agregados do município”, analisa.

 

Kallmus reforça ainda a informação de que as empresas não estão fazendo estoque, o que pode ser observado a partir do comportamento muito similar entre as movimentações no comércio de pessoas físicas (MCV-PF) e jurídica (MCV-PJ). “Esse comportamento poderia ser até considerado dinamizador da atividade, não fosse o fato de que acaba simultaneamente reduzindo a velocidade de circulação da moeda e reduzindo as vantagens comparativas em relação à concorrência externa. Observamos a alteração da atividade principal, de revenda para representação, o que fica reforçado a partir da constatação de que, diferente do que aconteceu na média do estado, o CAGED de junho e apresentou redução de postos de trabalho, resultando em uma perda de 584 empregos formais no semestre. A solução óbvia seria intensificar as trocas locais, reduzindo a evasão de capital. Infelizmente isso não parece ser prioridade da política de desenvolvimento local”, comenta o economista.

Perspectivas

O mês de julho costuma ser ligeiramente superior ao de junho, o que não ocorre com os meses de agosto e setembro. Considerando que o mês terá mais dias úteis que o anterior e que continuamos tendo um desempenho melhor do que o registrado no ano passado, matematicamente pode-se supor que teremos um resultado melhor no mês corrente. “O fator de risco para essa análise não está na análise econômica, mas em eventuais decisões esdrúxulas do judiciário e do Congresso. A condenação de Lula foi muito bem recebida pelo mercado, o que reforça a importância do posicionamento das instituições, evitando que casuísmos retardem o impedimento da candidatura do ex-presidente. Caso contrário, podemos nos preparar para um cenário muito mais negativo e instável”, finaliza Normann Kallmus.

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