Campo Grande •24 de Julho de 2017  • Ano 6
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Da redação | Domingo, 25 de Junho de 2017 - 11h10Uma alternativa para o produtorAmplitude territorial do estado facilita a implantação da atividade

Tanques estão produzindo peixe até para a exportação
Tanques estão produzindo peixe até para a exportação (Foto: Divulgação)

Se tem uma coisa que o setor agropecuário possibilita é a diversificação, ainda mais em terras tão férteis. No Mato Grosso do Sul, a economia sustentada no mercado da pecuária e agricultura vem abrindo espaço para outras atividades tão rentáveis quanto a produção de carne, leite e grãos.  Espaços esses ocupados por tanques, água e peixes. Aliás, muitos peixes.

Para fortalecer a atividade que está voltando a crescer, os piscicultores do Estado contam com a parceria do Senar/MS – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural.  O ATeG Piscicultura é uma linha de ação da instituição, que atua com grupos de piscicultores por meio da Assistência Técnica e Gerencial mensalmente, com objetivo de melhorar o processo produtivo da piscicultura sul-mato-grossense. “O trabalho desenvolvido, além de visitas mensais às propriedades, também promove capacitação técnica com cursos de FPR – Formação Profissional Rural, incentiva o associativismo e o cooperativismo dos produtores e fomenta a criação de novos canais de comercialização”, explica a gestora do departamento de ATeG do Senar/MS, Mariana Urt.

O Programa surgiu em 2015, sob demanda de grupos de produtores que necessitavam de orientações técnicas para desenvolver esta atividade promissora de forma sustentável. Hoje esse trabalho atende piscicultores de Campo Grande, Jaraguari, Dourados, Ponta Porã e Laguna Carapã.

Em Laguna Carapã, por exemplo, o trabalho está bem avançado e o resultado está bem expressado em números. A produção de peixes em tanques escavados no município, referente às propriedades atendidas pelo ATeG, ocupa uma área total de 18,2 hectares por lâmina d’água. Ao todo são 271 mil animais estocados de pesos variados. Para safra 2017/2018 a expectativa é vender 207 toneladas de peixe. A comercialização dos animais vai render o montante de R$ 1 milhão.

Toda essa cadeia da piscicultura no município já está bem definida, conforme o zootecnista e técnico de campo do Senar/MS, André Luiz Nunes. “Hoje no município existe um frigorífico com selo de inspeção municipal – SIM, que garante a qualidade do pescado que vai para o comércio local. De toda a produção, 40% vai ser comercializado em frigoríficos da Grande Dourados. O restante é oferecido ao mercado local de Laguna Carapã e aos complexos pesqueiros e pesque-pagues na região de Dourados e Ponta Porã”, aponta.

Atualmente o custo de produção da tilápia varia de R$ 2,80 a R$ 3,50. Para os frigoríficos ele é vendido a um preço médio de R$ 4,40, possibilitando uma margem liquida de até R$ 1,60/kg ao produtor. Em relação as espécies redondas, o custo de produção está entre R$ 3,00 e R$ 4,50, podendo o bom produtor garantir uma margem liquida de R$ 3,00/kg, dependendo do mercado que irá adquirir, pesque-pague ou frigoríficos.

O período de produção dos peixes é de 6 a 18 meses, dependendo da espécie. “Tem produtor comercializando tilápia com seis meses de produção. É um ciclo mais rápido e mais intensivo, onde ele adensou mais animais, colocando tecnologias como aeradores, que permitem aumentar o número de animais por metro quadrado, fornecendo mais oxigênio para os animais e melhorando outros parâmetros de água”, explica o técnico.

Caso de sucesso –  Edemar de Souza, produtor rural e piscicultor de Laguna Carapã, há quatro anos trabalha com a atividade. Hoje produz 80 mil tilápias em tanques escavados e almeja uma produção para a safra 2017/2018 de 50 toneladas. A lavoura de soja e milho, distribuída em 32 hectares, tornou-se uma atividade secundária. As despescas (ou seja, retirar o peixe dos viveiros após alcançar peso de mercado) na propriedade são programadas, e mais um lote de peixe sairá em 20 dias.

“Eu vendia bem, mas não tinha controle do que entrava de receita e saía de despesa. Trabalhava ‘no grito’. Com a vinda do técnico de campo hoje tenho outra noção do que é controle e gerenciamento, pois tenho tudo na ponta do lápis, anotado e arquivado no computador. Pela primeira vez vou saber quantificar o retorno da atividade”, aponta o piscicultor.

A piscicultura é uma alternativa de renda para o município, que baseia a economia na agricultura. Das 20 propriedades assistidas pelo ATeG, sete produtores tornaram a piscicultura como principal fonte de renda, na produção de tilápia e peixes redondos: pacu, tambacu – originado do pacu e tambaqui –  e a patinga – que é o cruzamento do pacu com a pirapitinga.

As visitas são mensais, com duração de 4 horas. Em junho completa um ano de assistência aos produtores de Laguna Carapã. Antes de mais nada, fica disponível a todos o “Negócio Certo Rural”, um curso obrigatório que contemplam as ações do ATeG sobre gestão e planejamento da propriedade. “Estamos na metade do projeto. Muitos já tinham os tanques, porém desenvolviam a atividade sem conhecimento técnico e gerencial sobre a cadeia, como qualidade d’água, nutrição, temperatura e sanidade. O serviço do técnico é levar essas informações, além de levantar os custos, despesas, lucros e receitas, obtendo assim o custo de produção real para chegar no preço competitivo”, explica o coordenador do ATeG Piscicultura, Pedro Bigaton.

Além do interesse comercial da atividade os produtores precisam dispor de uma estrutura mínima para atividade: tanques e água disponível. A chegada dos técnicos do Senar/MS até os tanques de peixes foi possível graças à mobilização do Sindicato Rural de Laguna Carapã. “Estamos fazendo um trabalho via Senar/MS em conjunto com o poder público municipal. O município já tinha potencial e agora essa parceria vem impulsionar a atividade e fazer com que aconteça onde todos saem ganhando. Todo esse período de assistência mudou a cabeça dos produtores, principalmente dos pequenos, que fortaleceram a renda com a piscicultura”, aponta o presidente da entidade, João Firmino Neto.

Desafios – Segundo o zootecnista o principal desafio é aumentar a produtividade por metro quadrado e também melhorar a conversão alimentar, um índice zootécnico que mede a saúde da piscicultura, influenciando na lucratividade do produtor. “Quanto menor esse índice, mais lucro o produtor pode ter, pois a despesa com a ração será menor. Por exemplo, para produzir 20 toneladas de peixes, o ideal é utilizar 22 toneladas de ração. O objetivo é baixar este indicador em todas as propriedades atendidas e, para isso, já estamos fazendo esse acompanhamento. Tudo isso diminui também o impacto ambiental, já que são menos resíduos e dejetos dos animais no meio ambiente”, diz André mostrando que a alimentação deixou de ser um gargalo no cultivo em Laguna Carapã.

As expectativas são as melhores. “A tendência é manter a produção de tilápia e peixes redondos, e temos perspectivas de alguns produtores iniciarem a criação de pintado.  Além disso, queremos estimular a abertura de outras duas plantas frigoríficas no município para atender a demanda”, complementa o técnico.

 

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