Campo Grande • 05 de dezembro de 2016 • Ano 5
OrganizaçãoIvan Paes BarbosaDiretor de RedaçãoUlysses Serra Neto

Ana Lívia Tavares | quarta, 05 de outubro de 2016 - 07h52Chave para o sucesso profissional, qualificação supera o desempregoIndústria em MS volta a gerar empregos e segue com o terceiro maior número de trabalhadores formais do estado

  
No laboratório de automação predial Smithe desenvolve a parte prática do curso (Foto: Luciano Muta)
  • No laboratório de automação predial Smithe desenvolve a parte prática do curso
  • Joel acredita que terá uma nova chance no mercado de trabalho após a conclusão do curso (Foto: Luciano Muta)
  • Curso gratuito de qualificação profissional de mecânico motor “Ciclo Otto”, oferecido pelo Senai da Capital (Foto: Luciano Muta)
  • Setor de armazenagem e expedição de produtos coordenado por Larissa (Foto: Luciano Muta)
  • Larissa acredita que conhecimento é a chave para o sucesso profissional (Foto: Luciano Muta)
  • Setor de produção onde Larissa começou a trabalhar aos 18 anos (Foto: Luciano Muta)
  • Haitiano sonha em abrir um negócio próprio e trazer família para morar no Brasil (Foto: Luciano Muta)
  • Diretor técnico do Senai analisa a qualificação profissional como saída para o desemprego (Foto: Luciano Muta)
  • Senai oferece mais de 220 perfis de formação profissional em Mato Grosso do Sul (Foto: Luciano Muta)
  • Senai oferece mais de 220 perfis de formação profissional em Mato Grosso do Sul (Foto: Luciano Muta)
  • Senai oferece mais de 220 perfis de formação profissional em Mato Grosso do Sul (Foto: Luciano Muta)
  • Senai oferece mais de 220 perfis de formação profissional em Mato Grosso do Sul (Foto: Luciano Muta)
  • Economista da Fiems comenta sobre radar industrial (Foto: Luciano Muta)
  • Escola da Construção do Senai da Capital conta com investimento de R$ 18 milhões e deve ser inaugurada em 2017 (Foto: Luciano Muta)

Abrir portas para um futuro promissor e de crescimento profissional é o sonho de muitos trabalhadores. Coordenadora de expedição de uma fábrica multinacional que produz fechaduras e ferragens, instalada em Campo Grande, Larissa Amaral Scudellari, 29 anos, tem nas mãos a chave para remover obstáculos. Ela iniciou a carreira na empresa há 11 anos, como auxiliar de produção. Incansável, a então iniciante na vida adulta, na época com apenas 18 anos, trabalhou para progredir. Foram oito anos de dedicação e muito esforço até chegar ao cargo de coordenação. “O conhecimento é tudo! É a única coisa que nunca na vida, com crise nenhuma você perde. Você pode perder o emprego, mas se pelo menos estudou, ainda tem o conhecimento”, diz com propriedade.

Para alcançar os objetivos profissionais e abrir as portas do futuro na carreira, ela investiu na própria qualificação. Como estratégia para o sucesso, em 2011, iniciou o curso superior em Tecnologia de Processos Gerenciais no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), na Capital. “As pessoas são muito imediatistas pensam que vão fazer um curso, se formar e já vão conseguir uma promoção. Mas não é assim. Primeiro você precisa de tempo, de experiência para conseguir uma oportunidade e depois você tem que ter essa oportunidade”, explica Larissa.

Ela conseguiu destrancar a porta que precisava e teve a chance de mostrar que estava preparada para o cargo de liderança no setor, mas mantém a capacitação como meta. Larissa ainda pretende fazer uma especialização em logística e terminar o curso de inglês. “Antes, o ensino superior era o diferencial, hoje ele é o mínimo que uma pessoa pode ter para conseguir se destacar na profissão. Eu como coordenadora tenho que me manter atualizada para não perder a posição que conquistei”, diz.

Desempregado há seis meses o mecânico Joel Acosta Lara, 35 anos, não teve a mesma oportunidade que Larissa. Por três anos, funcionário de uma empresa de pavimentação asfáltica que decretou falência, ele é pai de quatro filhos e agora garante o sustento da família realizando alguns serviços temporários. O mecânico tentou oportunidade de emprego na indústria automobilística, mas não foi contratado devido à alta concorrência pela vaga. “Eu já havia feito um curso de motor diesel e consegui a vaga na empresa que trabalhava, mas quando seria promovido a mecânico, a empresa faliu por dificuldades financeiras. Então, de imediato fiz um teste em uma concessionária e não fui selecionado pelo fato de não ter a qualificação profissional, o conhecimento necessário para a empresa”, conta Joel. 

A porta fechada foi o sinal de que era hora de ampliar seus conhecimentos. Por isso, ele se matriculou no curso gratuito de qualificação profissional de mecânico de motor “Ciclo Otto” – exigência da empresa ao qual ele não foi contratado –, oferecido pelo Senai.

Joel acredita que terá uma nova chance no mercado de trabalho após a conclusão do curso e tem esperança de poder dar uma condição de vida melhor para à família. “Vou fazer o possível, batalhar para conseguir me manter na área, aproveitar o curso. Hoje faz uma grande diferença a qualificação profissional. Numa disputa de vaga você tem uma vantagem”, opina.

A realidade do desemprego vivenciada por Joel atinge milhares de pessoas nos últimos dois anos. De acordo com o levantamento do Radar Industrial da Federação das Indústrias do Mato Grosso do Sul (Fiems), o setor composto pelas indústrias de transformação, extrativismo mineral, construção civil e serviços de utilidade pública demitiu aproximadamente 9 mil trabalhadores em 2015.  No entanto, há sinal de recuperação e o empresário está voltando a acreditar que o pior na economia já passou. “Em agosto, foram abertas 1.037 vagas, sendo o melhor resultado mensal dos últimos 30 meses. Considerando apenas o ano de 2016, o saldo das contratações nas atividades industriais do Estado ficou positivo em seis dos oito meses”, explica o coordenador da unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems, Ezequiel Resende Martins.

No acumulado do ano, foram abertas 2.128 vagas formais de trabalho, já nos últimos 12 meses 2.477 trabalhadores foram demitidos. Mas, o desempenho vem melhorando. “Por exemplo, em comparação com o início do ano, os últimos 12 meses terminados em janeiro indicavam o fechamento de 9.003 vagas. Ou seja, o total de vagas encerradas na indústria estadual, no comparativo anualizado, se reduziu em 72%”, conclui Ezequiel. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Oportunidade 

Com a retomada do crescimento econômico do setor industrial, o haitiano Smithe Davilmar, 34 anos, tem a expectativa de se firmar em Mato Grosso do Sul. Há um ano e oito meses ele deixou o país natal em busca de oportunidade. Por indicação do irmão, que chegou primeiro ao Brasil, Smithe veio para Campo Grande. Trabalhou em uma escola de idiomas ensinando francês e espanhol, mas teria sido vítima de discriminação racial.  Ele fala cinco línguas e no Haiti administrava um negócio próprio.

Para se manter no Brasil, Smithe passou a trabalhar como servente de pedreiro, na área de construção civil. Com uma remuneração inferior à que gostaria, ele descobriu no Senai uma chance de progresso e se matriculou no curso profissionalizante gratuito de eletricista predial. “Por mais que você tenha várias profissões, em qualquer país que você chegar vai ser melhor se estiver qualificado. Eu ainda estou com vontade de fazer outro curso no Senai, quando terminar este, para ter mais facilidade para conseguir um emprego e ganhar melhor”, diz. 

Mesmo com as dificuldades que tem enfrentado, o haitiano que é pai de três filhos, não deixa de sonhar. Ele quer se estabelecer definitivamente na Capital e acredita que isso será possível por meio da qualificação profissional. “Eu acho que há 95% de chances de vencermos a crise. Temos chances ainda, somos filhos de Deus e Ele tem que abrir portas para nós que agora estão fechadas. Meu objetivo hoje, se tudo der certo é ficar no Brasil, arrumar um emprego bom, trazer minha família para viver comigo, comprar uma casa, um carro e depois montar um negócio”, planeja o haitiano.   

O Senai é uma instituição especializada em capacitação, na qual são formados anualmente, milhares de novos profissionais, que podem atuar em diversos segmentos. Em Mato Grosso do Sul, são mais de 220 perfis de formação oferecidos nos 79 municípios do Estado e oito unidades instaladas. Para o diretor técnico do Senai, Gilberto Evidio Schaedler, a qualificação profissional pode ser a saída para superar o desemprego. “Em primeiro plano a capacitação para o profissional facilita muito a inserção dele no mercado de trabalho. Em segundo, a própria indústria consegue ser mais competitiva com profissionais bem qualificados que vão gerar esse diferencial e o desenvolvimento local. Você percebe claramente que nas regiões onde têm profissionais mais bem preparados, esse desenvolvimento se dá mais rápido, forte e de maneira mais consolidada” afirma.

 

 

Diferencial

Diante da competitividade do mercado, o profissional precisa ter um diferencial.  As dúvidas podem fazer parte da carreira e em certos momentos é preciso tomar decisões, fazer alguns ajustes e mudanças. Para o coaching, Luciano Coppini, especialista em gestão de pessoas e desenvolvimento profissional, é necessário buscar dois seguimentos para conquistar o emprego desejado. “Nós temos dois aspectos a serem analisados quando falamos de carreira. Um é o técnico, o outro o comportamental, que está associado à experiência, trajetória, tempo de carreira e uma coisa conhecida como inteligência emocional. Hoje em dia é fundamental e faz toda diferença quando estamos falando de relacionamento e liderança”.  

O coaching é um processo de investigação que promove o autodesenvolvimento do profissional e dá condições para validar seus reais objetivos e alcançar suas metas. Coppini trabalha com recrutamento e seleção de pessoas para empresas e relata que a qualificação profissional pode trazer bons resultados inicialmente no quesito técnico, mas para progredir é preciso se manter atualizado. “O ideal é as pessoas buscarem orientação para conseguirem analisar o seu próprio perfil e saberem o que precisam desenvolver”, explica. 

Investimento

No estado, o setor que mais cresce é a construção civil, por isso, o Senai está ampliando os serviços e investindo em novas instalações na área. Uma delas é a edificação da Escola da Construção do Senai da Capital, localizada na Avenida Rachid Neder, no Bairro Coronel Antonino. O empreendimento conta com um investimento de R$ 18 milhões e deve ser inaugurado no início do ano que vem. O local oferecerá cursos de formação inicial e continuada para trabalhadores nas áreas da construção civil, com uma previsão de disponibilizar 2,1 mil vagas. 

Investir em mão de obra qualificada para atender a demanda em Mato Grosso do Sul tem sido um dos objetivos do Sistema Fiems e a importância econômica do setor industrial para o desenvolvimento do Estado é comprovada por meio de dados. Ainda segundo o último Radar Industrial da Fiems, o conjunto das atividades industriais em MS encerrou agosto de 2016 com 127.363 trabalhadores empregados, indicando aumento de 0,62% em relação ao mês de julho. Com este desempenho, a indústria segue com o terceiro maior contingente de trabalhadores formais e responde por 19,6% de todo o emprego formal existente em Mato Grosso do Sul, ficando atrás apenas dos segmentos de serviços e administração pública. Números que demonstram que o sonho de trabalhadores como Larissa, Joel e Smithe, de abrir a própria porta para um futuro promissor e de crescimento profissional pode se tornar realidade.

 


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