Campo Grande •20 de Outubro de 2017  • Ano 6
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Valdelice Bonifácio | Sexta, 4 de Agosto de 2017 - 17h17‘Tudo é possível’, ensina bailarina do BolshoiCecília Bassetto, 14 anos, usou o próprio exemplo para estimular crianças da periferia

  
Cecília Bassetto bailou, entregou livros e conversou com as crianças de projeto social da periferia da Capital (Foto: Marco Miatelo)
  • Cecília Bassetto bailou, entregou livros e conversou com as crianças de projeto social da periferia da Capital

Cecília Bassetto é a mais pura emoção na ponta dos pés. A sul-mato-grossense tem 14 anos de idade e 10 dedicados ao ballet. Aluna da Escola Bolshoi, em Joinville (SC), ela passou a semana em Campo Grande fazendo um trabalho de devolução social. Esteve em hospitais, institutos e projetos sociais. Em cada atividade, deixou uma mensagem positiva. “Basta se dedicar e você chegará aonde quiser”, ensina a jovem bailarina.

A paixão pelo Ballet nasceu quando ela tinha dois anos de idade. “Eu vi um vídeo onde as bailarinas estavam se apresentando. Aí eu falei para o meu pai que eu queria fazer aquilo”, relembra. Na época, a família morava em Três Lagoas. Dois anos depois, mudaram-se para Campo Grande, onde a pequena começou a dançar como bolsista no Sesc.

Pouco depois, passou a ser aluna da escola Isadora Duncan, também como bolsista, até que em 2012 passou na concorrida seleção do Bolshoi. Ela só tinha nove anos, mas a certeza de que aquele era seu projeto de vida. “Atualmente, estou no quinto ano da Escola Bolshoi. Quero me formar e continuar no ballet clássico pelo mundo”, afirma.Almoço no carro - Apesar de já ter descoberto sua vocação, Cecília também leva a sério o ensino regular. Aluna do nono ano em uma escola pública em Joinville, a bailarina é do tipo que não falta às aulas e tira boas notas. Pela manhã, ela frequenta a escola regular e à tarde segue a rotina do Bolshoi.

“Minha mãe me pega na escola. Eu almoço no carro mesmo. Ao meio-dia entro no Bolshoi e faço as preparações físicas até às 14 horas, quando começam as aulas. Lá a gente estuda tudo sobre danças, não só as clássicas, mas as populares brasileiras dos séculos 15 e 16, por exemplo”, explica.

Por vezes, os ensaios, após as aulas, seguem até às 20 ou 22h. “Mesmo assim quando chego em casa vou estudar. Às vezes, fico até meia-noite nos estudos. Existem duas coisas que podem tirar você do Bolshoi. Uma é se machucar e a outra é tirar notas baixas”, detalha.

Após uma semana inteira de apresentações e palestras, Cecília só descansará neste sábado, 5 de agosto. No domingo, ela segue viagem de volta para Joinville. O projeto de devolução social foi definido em família, sob a liderança do pai dela Adalton Garcia. “Foram mais de 1,5 mil crianças atendidas. Visitamos oito projetos sociais”, contabiliza o pai.Projeto social de ballet - Nesta sexta-feira, ela recebeu crianças do Projeto Social de Ballet Paulo Coelho Machado, cuja sede fica no bairro de mesmo nome, na periferia de Campo Grande. O encontro foi no Museu de Culturas Dom Bosco, localizado no Parque das Nações Indígenas.

A presidente do projeto social Laura Tavares estava radiante com a possibilidade de as crianças terem contato com uma bailarina do Bolshoi, pela primeira vez.

“É uma experiência que será marcante para elas”, enaltece. Conforme Laura, o projeto atende 40 crianças de 3 a 15 anos. “Oferecemos as aulas de graça. Para se manter no projeto, a única exigência é que as crianças sejam frequentes, pois se faltarem, passamos as vagas para quem está na fila de espera. Sempre tem gente querendo, mas não temos vagas para todos”, explica.

Além de servir de estímulo para as bailarinas da periferia com o próprio exemplo, Cecília também as presenteou com um livro de sua autoria, intitulado “Aquilo que faz Tic-Tac”, uma publicação sobre as horas, totalmente ilustrado. A bailarina também tem talento literário, demonstrados em textos e discursos que ela escreve.Bailarina não rebola - A atividade também foi um deleite para os pais das alunas do projeto social. Mãe da pequena Giovana Carreira da Silva, 7 anos, a cabeleireira Célia Raquel La Rosa, 34 anos, afirma que a filha evoluiu desde que começou a fazer balett. “Ela passou a ter mais disciplina. Às vezes ela diz que bailarina não rebola nem dança funk”, diverte-se. “Houve também um amadurecimento em relação ao comportamento”, completa.

Já a pequena Giovana define as atividades que mais gosta na aula. “Gosto de fazer abertura e dos alongamentos”, afirma. Outra pequena aluna do projeto social Maria Eduarda Santos, 5 anos, afirma gostar de todos os detalhes da aula. “Tanto que eu nunca falto. Quando crescer, quero continuar sendo bailarina”, atesta.

Também feliz com a atividade no Museu estava a professora do projeto social, a bailarina Jéssica Thayane, 24 anos. “Eu dou aulas em escolas particulares desde 2013, mas esta é a primeira vez que trabalho com crianças carentes. Está sendo ótimo”, relata. Conforme Jéssica, a maior dificuldade que as alunas, especialmente as mais velhas, enfrentam no início é a questão da elasticidade. “Mas com esforço e persistência, tudo se supera. O sonho de ser bailarina é para crianças, adultos e idosos. Dançar é para todos”, garante.Seleção do Bolshoi – Quem também prestigiou a atividade de devolução social de Cecília Bassetto foi a superintendente de Turismo de Campo Grande Juliana Salvadori. “É muito importante devolver para a sociedade aquilo que se conquista. Esse estímulo que ela está trazendo às outras crianças é algo muito importante”, elogia.

Juliana Salvadori revelou ao Diário Digital que a prefeitura está em negociação com Ballet Bolshoi para realizar um workshop em Campo Grande, no mês de outubro. Neste mesmo evento, poderá ser realizada uma pré-seleção do Bolshoi na Capital.

“É uma possibilidade que agrega cultura e turismo em nossa cidade. Queremos fomentar e dar visibilidade à dança. Além disso, muitas caravanas virão do interior”, menciona.

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