Campo Grande •25 de Novembro de 2017  • Ano 6
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Valdelice Bonifácio | Terça, 7 de Fevereiro de 2017 - 14h00Deixa Falar celebra jubileu de ouro do grupo AcabaEscola aposta na sensibilidade do enredo e criatividade para ganhar boas notas

  
Francis Fabian fundador e carnavalesco da Deixa Falar está empolgado com a homenagem ao grupo Acaba, que canta o Pantanal (Foto: Marco Miatelo)
  • Francis Fabian fundador e carnavalesco da Deixa Falar está empolgado com a homenagem ao grupo Acaba, que canta o Pantanal
  • Grupo Acaba Cantadores do Pantanal será homenageado pela Catedráticos do Samba (Foto: Reprodução/Facebook)
  • No barracão, voluntários trabalham na confecção das fantasias (Foto: Marco Miatelo)
  • Fantasias retratam o Santuário Ecológico do Pantanal e todos os seus habitantes (Foto: Marco Miatelo)
  • Marlen da Conceição Francisco afirma que está ajudando a construir um sonho (Foto: Marco Miatelo)
  • Fauna pantaneira tem destaque no Carnaval da Deixa Falar (Foto: Marco Miatelo)
  • Na Daixa Falar, reciclagem é palavra de ordem; muitos materiais foram reaproveitados do ano passado (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
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  • (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)

"Tem cheiro de Camalote, tem gosto de Tarumã". O samba-enredo do Grêmio Recreativo Escola de Samba Deixa Falar para o Carnaval deste ano em Campo Grande tem o sabor de uma antiga paixão do carnavalesco Francis Fabian pelas músicas do grupo Acaba, que cantam o Pantanal. A letra do enredo foi baseada na discografia do grupo e será levado à avenida justamente no ano em que o Acaba está completando 50 anos. 

"O momento para esta homenagem não poderia ser melhor. Vamos para a avenida com um jubileu de ouro", enaltece Fabian. O nome do samba-enredo foi extraído da conhecida canção Ciranda Pantaneira. "Na música, eles usam aqueles instrumentos que imitam pássaros, eu sempre gostei muito disso", relata. Por causa dessa adoração, o Pantanal, suas cores, lendas e povos, estarão na Avenida Alfredo Scaff na noite de 28 de fevereiro.  

Antes de fechar o samba-enredo e apresentar à escola, Fabian passou meses estudando os termos usados pelo grupo Acaba em suas músicas, como forma de chegar ao significado correto de cada palavra e assim orientar a confecção de fantasias e alegorias. "Carnaval não é só pluma e paetê, mas sim cultura popular a céu aberto", define.

Quarta colocada do grupo especial no ano passado, a Deixa Falar aposta na sensibilidade do enredo e na criatividade das fantasias e alegorias para ganhar boas notas neste ano. 

Dentro do barracão da Deixa Falar, reciclagem e inventividade são as palavras de ordem do ano. Muito se aproveitou do Carnaval de 2016, tecidos, plumas, armações e outros materiais. "Começamos a montar tudo há uns três meses. Reciclar e criar são atitudes fundamentais", explica o carnavalesco.

Como forma de guardar segredo, foram permitidas apenas imagens de detalhes das fantasias, que não podem ser divulgadas completamente. O carnavalesco tenta levar o máximo possível do santuário ecológico Pantanal para a avenida. As fantasias e alegorias retratam o homem pantaneiro, a fauna, a flora, o índio, o pescador, o peão, as águas pantaneiras e outros.

Algumas peças foram pintadas à mão,  um trabalho detalhista e que exigiu muitas horas de dedicação dos voluntários. Que o diga a costureira, aderecista e artesã da Deixa Falar Marlen da Conceição Francisco, de 56 anos. "Não me importo com o tempo. Eu estou ajudando a construir um sonho", diz a voluntária que em anos anteriores chegou a passar noites no barracão para finalizar os trabalhos. "Se precisar, viro a noite no barracão novamente", assegura.

Marlen, aliás, tem uma antiga ligação com o Carnaval de Campo Grande. "Fui passista da Vila Carvalho durante cinco anos. Porém, hoje, vivo o prazer de trabalhar nos bastidores da Deixa Falar. Gosto de pôr a mão na massa e ver a escola surgir dos materiais", relata.

A escola levará à avenida cerca de 300 pessoas, em onze alas, e três carros alegóricos. Os integrantes do Grupo Acaba deverão fechar o desfile. Os custos para a apresentação deste ano devem ficar entre R$ 100 mil e R$ 120 mil. Parte do dinheiro foi levantada com a realização de eventos e promoções no decorrer de 2016. A agremiação espera ainda receber sua parte no repasse que o governo do Estado fará às nove escolas de samba de Campo Grande (R$ 250 mil no total).

"Carnaval não se faz sozinho. É um trabalho que tem muita gente envolvida, desde serralheiros, eletricistas e outros profissionais. Tudo isso tem um custo", afirma o carnavalesco.

Desfiles - Neste ano, os desfiles das escolas de samba serão realizados nos dias 27 e 28, na Avenida Alfredo Scaff, no Bairro Santo Antônio, perto da Praça do Papa, a partir das 20 horas. Na primeira noite, desfilarão a escola mirim Herdeiros do Samba, que traz o enredo “Sou sertanejo, sou sambista, venham me ver nesta pista”; Unidos do Aero Rancho (Troféu para o Tema); Unidos do São Francisco (Índios Pantaneiros, a História dos Guerreiros Sul-Mato-Grossenses); Cinderela Tradição do José Abrão (No céu, na terra, no mar, mistérios que ninguém soube explicar! De onde viemos, para onde vamos? Cinderela na passarela a imaginar); Unidos do Cruzeiro (Mama África, o 
Brasil tem seu sangue).

Na noite de 28 de fevereiro é a vez da Vila Carvalho (Salve Jorge, o Guerreiro da Vila);  
Igrejinha (100 anos do Poeta Manoel de Barros); Catedráticos do Samba (A Colônia Paraguaia) e 
Deixa Falar (Tem cheiro de Camalote, tem gosto de Tarumã).  

Confira abaixo o enredo da Deixa Falar

"Tem cheiro de Camalote, tem gosto de Tarumã"

Pantaneiro chegou a hora de você cantar...Pantaneira chegou a hora de você dançar...
Vou abrir minhas porteiras...Clareia luar clareia, a festa vai começar.
Violas de chimbuva e tripas de bugio, sanfonas iluminadas...
A chama da lamparina acesa.
Modas de violas ou cantorias, dança das cores em alquimia
Fauna e flora, nossas raízes... solo sagrado, santuário Pantaneiro.
É chegada a hora...
Sou festança, sou folclore, sou ciranda sou catira
Corre corre cavalinho, atravessa este corixo...
Sou queimado pelo sol, sou molhado pela cheia,
Na folha que a água leva, leva o bem e leva o mal...
Tu que és cantador, cante... conte e encante
Mostra a força da minha terra...
E em forma de mosaico desvenda com sutileza segredos da natureza, 
Um grito de amor na questão ambiental, o homem pantaneiro,


“Aruanã-Hetô” é o lugar das máscaras 
“Maxte-Puru” é o lugar dos homens...
Nasci nas terras onde o sol se levanta, com jenipapo e urucum pintei meu corpo
KANANCIUÊ...
Tacape, cocar, mangaba, cajá... meu colar, minhas armas não fazem mais sentido.
Sou filho da “Mãe Lua”, dono da caça, dono do tempo.
Sou “Mãe Natureza” semeando em seu ciclo sagrado.
O som do arado sobre a terra, fertilizando plantações, desvendando mistérios...
Sou água barrenta nas corredeiras dos rios, onde canoas de tronco inteiriço deslizam,
Sem leme, sem mastro, sem quilha... na brisa o cheiro do camalote.
Sou vento pantaneiro, terra molhada, cama de capim.
Sou fonte de águas, lagos e riachos...
Nação indígena , resistentes de uma raça...
No ventre dos Kadiwéus, filho chora e não nasce
Nhandewá e Kaiowá, Tupis, Terenas e Guatós, Guaicurus e Paiaguás...
Somos “Filhos do Sol”...”Terra Molhada”...
Sou a “Ultima Cheia”, “Vaca Tucura, Boi Pantaneiro”.
 “Pássaro Branco” nos “Mares de Xaraés”
Sou “Ciranda Pantaneira”, “Cururu de Santa Fé”
Sou “homem pantaneiro” em busca da rês perdida...
No casco do cavalo, um pedaço de poema,
Na face pantaneira, o ponto de partida...


Tem cheiro de Camalote, Tem gosto de Tarumã...
E para enfeitar esta aquarela, onça pintada, tuiuiú, agua-pomba, ipê
Carandá, Buriti, periquito, papagaio, tucano de bico grande
Perdi o meu arco... minha dança se perde no pranto,
A fera da mata estranha o meu canto...
Som de berrante, peão que grita, boiada passando.
Sou queimado pelo sol, sou molhado pela cheia,
Jenipapo é isca forte, pescador do Pantanal...
Pra alimentar meu corpo.
Mandioca braba, inhame e cará plantei
Pirarucu pesquei, com arupema e cipó-timbó.
Pra alimentar minha fé,
Acendi vela e rezei
Pra São Gonçalo, Pedro, Antônio e João,
Que fauna e flora não entrem em extinção..
‘KANANCIUÊ”
Cante comigo seu canto,
Grite comigo seu grito...
Aruanã-hetô, Maxte-Puru
“KANANCIUÊ”...

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