Campo Grande •30 de Março de 2017  • Ano 5
OrganizaçãoIvan Paes BarbosaDiretor de RedaçãoUlysses Serra Neto

Da redação | Quarta, 15 de Fevereiro de 2017 - 12h25Marco abre temporada de exposições 2017 com “4 Mostras 4 Artistas”Sul-mato-grossense Ana Ruas trouxe “Floresta Encantada”, projeto que desenvolve desde setembro

Foi aberta na noite desta terça-feira, no Museu de Arte Contemporânea (Marco), a temporada de exposições 2017 com “4 Mostras 4 Artistas”, coletiva com Katia Canton, Marcos Amaro, Alessandra Rehder e Ana Ruas.

A sul-mato-grossense Ana Ruas trouxe “Floresta Encantada”, projeto que desenvolve desde setembro. A ideia surgi a partir de uma viagem para a o Rio Grande do Sul, onde Ana tem familiares. “Vi uma plantação de pessegueiros na casa da minha tia quando estive lá ano passado, em julho, e me inspirei. Daí pensei: Por que não pintar flores? Nunca tinha feito isso antes. Em novembro trabalhei numa tela de cinco metros com as crianças no ateliê. Contei para eles a história do pé de feijão mas eles não tiveram interesse. Mas surgiu a ideia da Floresta Encantada”.

Segundo Ana, muitas ideias surgem durante no processo de montagem. Ela chama seu trabalho de coparticipação, com as crianças. Foi gravado um áudio por meio de aplicativo no celular com as crianças, em que eles falam sobre os elementos da Floresta Encantada. O próximo passo é produzir uma nova tela com esses elementos que elas falaram.

Na entrada da sala de exposição havia pirulitos e balas que as “fadas, duendes e gnomos da Floresta Encantada oferecem para as crianças de dentes moles e de dentes permanentes bem cuidados. A fadinha-chefe pede para guardar os papéis na lixeira”.

De 19 de fevereiro a 26 de março, no Marco, sempre aos domingos, das 16 às 17 horas, haverá uma programação para as crianças na Floresta Encantada, com pic nic na floresta, aula aberta de Tai Chi Chuan, brincadeira com bonecas, desenhos, poesias e meditação.

A artista Ana Ruas, durante seu discurso de abertura, disse estar emocionada. “Agradeço a todas as crianças que acreditaram que uma floresta pode ser encantada. À Maysa Barros, antiga coordenadora do Marco, pelos anos de dedicação e por ter acreditado nesse projeto. Nós os artistas ficamos no ateliê de maneira solitária e quando alguém sai de cada como vocês estão aqui é uma alegria muito grande. Comprometo-me com o projeto educativo realizado aqui no Marco, que começou em setembro e aqui vocês têm o resultado. Aos que ajudaram na coparticipação da floresta e aos demais colegas artistas, muito obrigada”.

As crianças Maria Clara Moro e Martin Moreno Mujica, ambos de cinco anos, participaram do projeto com a Ana Ruas. Para Martin, na Floresta Encantada tem “coelhinhos” e para Maria Clara, tem “aranhas e lagartixas”. “Nós gostamos de pintar”. Maria quer ser médica e Martin, policial, mas eles querem continuar pintando quando adultos.

Maria Ludmila Setti Moro, mãe da Maria Clara, disse que a filha descobriu o mundo da arte pela visão de uma artista tão importante como Ana Ruas. “Cada dia nas atividades do ateliê ela vem com uma novidade, com uma visão de mundo diferente. Ela consegue mostrar a arte de forma leve e encantadora. Ela mergulha nesse mundo”.

Nilvana Moreno Mujica, a mãe do Martin, disse ser importante para a educação do seu filho ele se envolver com a criatividade desde pequeno. “Isso é importante para todas as profissões, é um patrimônio para a vida futura”, diz.
 
A fotógrafa Alessandra Rehder, que realiza a mostra “Subtração & Forma”, não pôde estar presente pois reside em Londres e está envolvida em outros projetos, mas esteve representada por sua mãe, Andrea Reher, proprietária de uma galeria de arte contemporânea. “A Alessandra veio em dezembro para cá e trouxe todas as obras para a exposição. Ela desde menina quis trabalhar como voluntária em projetos sociais. A partir do curso de Relações Internacionais na PUC, aos 17 anos começou a trabalhar. Foi para a Indonésia e em seis meses ajudou a comunidade. Depois foi para a França estudar fotografia, e por meio desta arte, mostra essa realidade documental”.

Alessandra criou uma leitura em cima da fotografia plana. “Ela continuou crescendo nesse projeto. Ela mostra o dever humano em relação às paisagens, o comportamento humano. E nos projetos comunitários acaba subtraindo o que há de mais precário nas realidades, criando essa linguagem ampla”.

Marcos Amaro, por meio da mostra “Desconstruções e articulações, desconstrói objetos na forma e no significado para reinventá-los. Ele é filho do falecido comandante Rolim, da Tam, e disse que sua arte é uma forma de manter viva a memória do pai. “Desde pequeno eu convivo com o ambiente aeronáutico. É uma coisa que gosto. E a arte é uma forma de manter meu pai vivo, é um novo sentido para o trabalho”.

Marcos sempre gostou de desenhar mas com o tempo percebeu as limitações do desenho e buscou novas formas de expressar seus sentimentos. “Eu crio na composição critérios estéticos como organização, forma, largura. O trabalho tem relação pictórica, são pinturas, mas utilizando objetos. Eu os procuro, mas os objetos vieram a mim também”.

Marcos disse, no discurso de abertura, que estava muito grato pela disposição dos presentes de irem ao museu. “É gratificante esta possibilidade de diálogo, traz satisfação e engrandecimento muito grande no sentido espiritual. Agradeço ao secretário de Cultura, Athayde Nery, e ao meu curador, Fábio Magalhães, à equipe do museu e à Andrea Rehder que apostou tempo e atenção em mim para que eu pudesse desenvolver meu trabalho. É importante compreender a poética desses quatro artistas, cada um apresentando o que sente. As artes visuais proporcionam contemplação subjetiva de acordo com a realidade de cada um. Só tenho a agradecer e muito obrigado pela presença de todos vocês”.

A artista Kátia Canton, que traz a mostra “A Casa dos Contos de Fadas”, não pôde estar presente por causa de outros compromissos. Por meio de sua obra, exposta no Marco, ela instiga o uso das narrativas dos contos de magia na construção da cultura. Principalmente interessa-lhe o lugar conferido à mulher e à criança no universo das narrativas em suas diversas representações na história ocidental desde a tradição ao pré-medieval até seus modos contemporâneos.

Em contos clássicos a experiência do feminino se mescla com memórias e ressoam nas pinturas, desenhos, fotografias e instalações poéticas, revisitando criticamente ideias sobre o lúdico, o frágil, o onírico e a domesticidade. A Casa dos Contos de Fadas busca descobrir nas formas apresentadas por Kátia como acessar as forças que nos ligam à vida, que nos curam, que acendem o desejo de viver, de prosseguir e de intensificar esse viver.

O secretário de Cultura, Turismo, Empreendedorismo e Inovação, Athayde Nery, desejou boa noite especialmente às crianças “que estão alegrando este local e auxiliando no processo de criação com Ana Ruas. “O objetivo das Mostras é fazer com que as pessoas descubram o museu, que transformem isso daqui na extensão de suas almas. Temos aqui os artistas de São Paulo e a nossa Ana Ruas. Que a gente possa fazer do Museu participante do processo de integração do Estado. Mato Grosso do Sul comemora este ano 40 anos e só temos como fazer esse resgate por meio da arte. Nossa arte pulsa. Quero agradecer aos funcionários e servidores anônimos nessa construção. Que outras pessoas venham e que a gente faça essa ocupação cidadã do nosso museu”.

Todos estão convidados à visitação de “4 Mostras 4 Artistas”, que fica aberta para visitação até o dia 26 de março: de terça a sexta, das 7h30 às 17h30, sábados, domingos e feriados, das 14 às 18 horas. O Marco fica na rua Antônio Maria Coelho, 6000, Parque das Nações Indígenas. Mais informações pelo telefone (67) 3326-7449.

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