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17 de junho de 2019 • Ano 8
Diretor de RedaçãoUlysses Serra Netto
Tecnologia

Exposições apostam em tecnologia

Basta tirar uma foto no parelho celular e colocar na página do Facebook e em seguida a pessoa se torna a própria obra de arte

27 Mar2019Da redação11h05

O público pode conferir nesta noite (26), no Centro Cultural José Octávio Guizzo, a abertura das exposições “Catarse”, de Márcia Albuquerque, e “ Fluido Vital”, de Rose Moura. As exposições trazem obras em óleo sobre tela, acrílico e sobre tela , e duas obras interativas em que o público participa utilizando o celular, rede social e aplicativo. As exposições estão abertas à visitação até 05 de abril, de terça a sexta-feira das 8 às 22 horas e sábado das 8 às 18 horas

Na galeria Wega Nery do Centro Cultural , as pessoas já têm contato com o abstrato que caracteriza o trabalho da artista visual, atriz, arte terapeuta, psicóloga e ativista cultural Márcia Albuquerque. Entre as obras está “Mayara Amaral Presente”, que retrata a musicista tocando e que foi pintada três meses antes de seu assassinato. “É uma obra sobre o feminicídio, que busca refletir sobre o tema. Mato Grosso do Sul é um dos Estados mais violentos do país, e penso que a arte, além de refletir o belo, precisa provocar a reflexão, para que a sociedade possa pensar num futuro melhor”, diz a artista.

A mesma obra também foi pintada em preto-e-branco, intitulada “Ni Uma Más”, e quando o visitante visualiza a obra pelo celular via aplicativo, as cores começam a tomar forma, e uma música agradável começa a tocar. “As manchas de tinta são manchas de sangue. Retrata uma situação em Juarez, que fica no México, na fronteira com os Estados Unidos, em que um homem, para entrar no tráfico de drogas, tinha que estuprar, mutilar e matar uma mulher. Nesta cidade existe um movimento das mães e famílias dessas mulheres que foram mortas. Cada mulher que foi assassinada tinha uma vida, uma beleza”.

Na exposição o visitante também pode interagir usando o celular na obra “Narciso”, que consiste em uma instalação com um espelho. A pessoa tira uma foto do seu reflexo no espelho e envia para uma página no Facebook, indicada na obra, completando a frase: “Espelho, espelho meu, existe alguém mais ... do que eu?” “Esta instalação faz com que a pessoa se torne a própria obra de arte”, diz Márcia. A obra foi premiada em outubro de 2018 no Festival de Artes Plásticas de Campo Grande.

Na sala Ignês Corrêa da Costa, a artista visual e arte educadora Rose Moura traz obras em óleo sobre tela na exposição “Fluído Vital”. A temática escolhida pela artista é a evolução dos seres segundo a ótica espírita. “O artista, para pintar qualquer coisa, tem que acreditar naquilo. Eu acredito na sobrevivência da vida, da alma. Nesta viagem que fazemos, passamos do reino mineral, para o vegetal e animal, até chegar à angelitude. Estamos sempre evoluindo”.

Rose usa muitos sonhos que teve como inspiração para seus quadros. “O sonho é inspiração, é esse pensar constante de avaliação da vida. Eu sonhei com esta tela ‘Na morada do Pai há muitas moradas’, é uma mulher eu está viajando no espaço, entrando no estado angelical. Minha obra tem a ver com minha fé, e é uma reflexão de vida”.

Três obras da exposição foram premiadas no Festival de Arte de Campo Grande no ano passado. No Centro Cultural, é a primeira vez que Rose expõe suas obras. “O artista quer que sua obra seja vista, você quer contar essa história, eu quero passar essa história da minha crença para a pintura”.

Em seu discurso de abertura, a gestora do Centro Cultural, Luciana Kreutzer, agradeceu a presença dos artistas de diversas áreas e ressaltou que o Centro Cultural sempre foi a “casa do artista em Campo Grande”. “São todos bem-vindos, a gente tem trabalhado para trazer os artistas para cá. A gente não existe sem o artista, nosso trabalho vem do artista para a população. Este Centro precisa pulsar para mostrar o que a gente quer compartilhar com a sociedade”.

A diretora-presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, Mara Caseiro, parabenizou às duas artistas em exposição no Centro Cultural, pela sensibilidade no trabalho e enfatizou o papel do Centro Cultural em inovar e trazer temas importantes para a sociedade. “No caso da Mayara Amaral, ficou um vazio, uma tristeza muito grande. Como mulher e como ser humano, torço para que os responsáveis paguem pelo crime. Vocês da Fundação de Cultura alegram, sensibilizam e trabalham com sentimento. Vocês fazem muito com pouco, isso é da Cultura, mesmo. Estamos trabalhando para que possamos reabrir o teatro num prazo muito curto. Este é um pedido de todos os artistas”.

A artista Márcia Albuquerque relembrou do início do Centro Cultural, época em que fazia cursos de teatro no local. “Apresentei várias pelas aqui no Aracy Balabanian, todos os cursos a gente fazia aqui. Esta foi a minha primeira casa como artista. Fiz curso de teatro aqui há 30 anos. Quando você queria encontrar um artista, ia pro Centro Cultural. Todo artista tem uma história aqui. Estou à disposição para continuar fazendo desse espaço um espaço de importância”.

 

 

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