Campo Grande •20 de Setembro de 2017  • Ano 6
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Da redação | Sexta, 15 de Setembro de 2017 - 14h21Centro Cultural recebe a peça brasiliense 'Tsunami' nesse domingoPeça tem classificação de 12 anos e duração de 70 minutos; a entrada é franca

(Foto: Divulgação)

O Grupo Sutil Ato de Brasília, com o apoio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), apresenta o espetáculo “Tsunami”, no domingo (17.9), às 19h, no estacionamento do Centro Cultural José Octávio Guizzo (CCJOG). A peça tem classificação de 12 anos e duração aproximada de 70 minutos. A entrada é franca.

A peça tem direção e dramaturgia de Jonathan Andrade, que está ministrando a oficina gratuita de Dramaturgia “Experimentações e fluxos de criação” até domingo e conta a história de uma refugiada, sem lugar, sem destino, mas sobrevivente. Alguém que carrega, mesmo ao fim de tudo, uma ancestralidade e afetos. Uma personagem abraçada ao silêncio, revirando as memórias do próprio corpo, imersa ou submersa na delicadeza da própria existência. Há solidão e há encontro na solidão.

A dramaturgia do espetáculo Tsunami é atravessada pelas transformações políticas, econômicas e sociais mundiais, relativizando a precariedade relacional humana, em uma iniciativa poética de reinvenção da realidade. Uma narrativa que nos situa em diversos tempos da vida e do cotidiano de uma personagem, um ser humano em sua tentativa de existir, sobreviver e dialogar com o mundo em uma sociedade pós-guerra, pós-enchente, pós-terremoto, pós-desapropriação, pós-holocausto.

Tsunami dialoga com o espectador, a partir de uma dramaturgia que tece a narrativa pelas ações, gestos e imagens poéticas não verbais, dando lugar à criação de um dialeto próprio da personagem, estimulando a compressão por meio dos sentidos e das emoções.

O espetáculo traz a ausência da palavra como convite à reflexão acerca do contexto mundial contemporâneo, em que a dificuldade de entendimento do outro e das diversidades culturais se faz cada vez mais presente. O convite a uma experiência de aproximação gerada pelo afeto, algo universal, em que a língua falada não se constitui como barreira de comunicação. Tsunami desloca a palavra, aproximando o humano por meio do que se sente.

Explorando a presença mítica e material do silêncio, ou partilhando vivências cotidianas, é um espetáculo que mergulha no universo lúdico, denso e delicado de temas tão singulares e subjetivos como amor, solidão, utopia, descontrole sobre o tempo, compaixão, esperança, fé, ou a falta de tudo isso. É um silêncio diante da realidade humana atual.

Histórico do Projeto - O espetáculo Tsunami foi concebido a partir de um projeto piloto de mediação teatral, em que o processo de criação foi integralmente compartilhado com cerca de 40 estudantes, em uma escola pública de Planaltina(DF), por meio de ensaios semanais em sala de aula. Subvertendo a lógica de mediação em que os estudantes somente acessam o espetáculo depois de concebido, o projeto intitulado “Tsunami: processo e obra compartilhados”, realizado em 2016, com patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC-DF), gerou uma obra teatral que reflete o olhar e as provocações dos jovens estudantes, acerca de temas atuais como guerras, imigrações, desterritorialização, relações humanas e sociais.

A atriz e palhaça Ana Flávia Garcia, o diretor e dramaturgo Jonathan Andrade, ancorados em uma “Escola Palco”, com mediação do arte educador Wellington Oliveira, ressignificaram a sala de aula como espaço de criação, possibilitando a imersão dos estudantes em todas as esferas da criação artística, experimentando cenas, compartilhando ideias, dúvidas, olhares, relatos pessoais e desafios do processo criativo. Após quatro meses de encontro, originou-se uma dramaturgia atravessada por temáticas contemporâneas que refletem sobre as transformações políticas, econômicas e sociais mundiais.

O resultado deste projeto, que subverte as dicotomias entre arte e educação, gerou o espetáculo Tsunami, apresentado em escolas de cinco cidades do Distrito Federal, junto a uma instalação artística construída pelos estudantes que participaram do processo de criação. Através desta instalação, a mediação comumente realizada por arte educadores, foi realizada pelos próprios estudantes, potencializando o alcance dos debates entre os jovens espectadores que puderam assistir ao espetáculo.

O Centro Cultural José Octávio Guizzo fica localizado na rua 26 de Agosto, 453, entre a avenida Calógeras e a rua 14 de Julho. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (67) 3317-1795.

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