Campo Grande •23 de Agosto de 2017  • Ano 6
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Saúde em Foco | 16/05/2017 20:50Você sabe de fato o que é a Doença Celíaca?

            Em uma conversa com a pediatra Marcela Barbosa de Farias, especialista em Gastroenterologia Pediátrica, o tema abordado foi a doença celíaca - tema muito comentado nos dias de hoje, mas que causa muitos mal entendidos por falta de um entendimento maior por parte da população. Seguem os esclarecimentos prestados pela dra. Marcela. 

       "A doença celíaca é um distúrbio inflamatório crônico do intestino delgado que afeta 1% da população. Caracterizada por uma desordem sistêmica autoimune, desencadeada pela ingestão de glúten. Ocorre uma inflamação crônica da mucosa do intestino delgado que pode resultar na atrofia das vilosidades intestinais, com conseqüente má absorção intestinal e suas manifestações clínicas. O glúten é uma proteína que está presente nos seguintes alimentos: trigo, aveia, centeio, cevada e malte.

           A doença celíaca ocorre em pessoas com tendência genética à doença. Geralmente aparece na infância, nas crianças com idade entre 1 e 3 anos, mas pode surgir em qualquer idade, inclusive nas pessoas adultas.

Sintomas:    

Três formas de apresentação clínica da DC:

I Forma Clássica: caracterizada pela presença de diarréia crônica, em geral acompanhada de distensão abdominal e perda de peso. O paciente também pode apresentar diminuição do tecido celular subcutâneo, atrofia da musculatura glútea, falta de apetite, alteração de humor (irritabilidade ou apatia), vômitos e anemia. 

II Forma Atípica: caracteriza-se por quadro mono ou oligossintomático, em que as manifestações digestivas estão ausentes ou, quando presentes, ocupam um segundo plano. Os pacientes deste grupo podem apresentar manifestações isoladas, como, por exemplo, baixa estatura, anemia por deficiência de ferro refratária à reposição de ferro por via oral, anemia por deficiência de folato e vitamina B12, osteoporose, hipoplasia do esmalte dentário, artralgias ou artrites, constipação intestinal refratária ao tratamento, atraso puberal, irregularidade do ciclo menstrual, esterilidade, abortos de repetição, ataxia, epilepsia (isolada ou associada à calcificação cerebral), neuropatia periférica, miopatia, manifestações psiquiátricas – depressão, autismo, esquizofrenia -, úlcera aftosa recorrente, elevação das enzimas hepáticas sem causa aparente, fraqueza, perda de peso sem causa aparente, edema de aparição abrupta após infecção ou cirurgia e dispepsia não ulcerosa.

III Forma Silenciosa: caracterizada por alterações sorológicas e histológicas da mucosa do intestino delgado compatíveis com DC, na ausência de manifestações clínicas. Esta situação pode ser comprovada especialmente entre grupos de risco para a DC como, por exemplo, parentes de primeiro grau de pacientes com DC, e vem sendo reconhecida com maior frequência nas últimas duas décadas, após o desenvolvimento dos marcadores sorológicos para esta doença.

Em resumo:

 Diarréia crônica (que dura mais do que 30 dias)
 Prisão de ventre
 Anemia
 Falta de apetite
 Vômitos
 Emagrecimento / obesidade
 Atraso no crescimento
 Humor alterado: irritabilidade ou desânimo
 Distensão abdominal (barriga inchada)
 Dor abdominal
 Aftas de repetição
 Osteoporose / osteopenia

Diagnóstico

           Os exames de sangue são muito utilizados na detecção da doença celíaca. Os exames do anticorpo anti-transglutaminase tecidular (AAT) e do anticorpo anti-endomísio (AAE) são altamente precisos e confiáveis, mas insuficientes para um diagnóstico. A doença celíaca deve ser confirmada encontrando-se certas mudanças nos vilos que revestem a parede do intestino delgado. Para ver essas mudanças, uma amostra de tecido do intestino delgado é colhida através de um procedimento chamado endoscopia com biópsia.

Teste genético – A grande maioria dos pacientes celíacos e 30% da população geral apresentam HLA-DQ2 e/ou DQ8. Assim, a presença de um desses dois alelos tem boa sensibilidade, mas baixa especificidade. Portanto, um teste negativo para DQ2/DQ8 praticamente afasta a possibilidade de DC, mas um resultado positivo não permite fechar diagnóstico, sendo necessários outros subsídios de natureza clínica, imunológica ou histológica.

           O pilar do tratamento da doença celíaca é a adesão vitalícia a uma rigorosa dieta livre de glúten, que leva a melhorias no desfecho clínico, no bem-estar psicológico e na qualidade de vida para a maioria dos pacientes.

           Atenção ao rótulo de produtos industrializados em geral. A lei federal nº 10674 , de 2003, determina que todas as empresas que produzem alimentos precisam INFORMAR obrigatoriamente em seus rótulos se aquele produto “CONTÉM GLÚTEN” ou “NÃO CONTÉM GLÚTEN” .

           O reconhecimento de que as reações ao glúten não se limitam à doença celíaca levou ao desenvolvimento de um documento de consenso em 2012 entre um grupo de 15 especialistas internacionais.

            Sugeriu-se uma nova nomenclatura e classificação, com três condições induzidas pelo glúten – doença celíaca, alergia ao trigo e sensibilidade ao glúten não celíaca.

            A definição de doença celíaca é mencionada acima. 

            A alergia ao trigo é definida como uma reação imunológica adversa às proteínas do trigo mediada por IgE – pode apresentar-se com sintomas respiratórios (“asma do padeiro” ou rinite, mais comum em adultos), alergia alimentar (sintomas gastrintestinais, urticária, angioedema ou dermatite atópica; principalmente em crianças) e urticária de contato. Os testes para alergia ao trigo incluem dosagem sérica de IgE ou testes cutâneos para o trigo. 

            A sensibilidade ao glúten não celíaca é uma forma de intolerância ao glúten quando a   sensibilidade ao glúten não celíaca é uma expressão genérica e pode incorporar uma grande variedade de possíveis aspectos clínicos : sintomas intestinais como desconforto abdominal, distensão abdominal, dor e diarreia (também consistentes com a síndrome do intestino irritável) ou a uma variedade de sintomas extraintestinais, como dores de cabeça, “mente nebulosa”, depressão, fadiga, dores musculoesqueléticas e erupções cutâneas. 

O que devemos fazer ?

             Para pacientes que relatam intolerância ao trigo ou sensibilidade ao glúten, excluir doença celíaca(com anticorpos antiendomísio e/ou antitransglutaminase tecidual e biópsias duodenais em uma dieta contendo glúten) e alergia ao trigo (dosagem sérica de IgE ou teste cutâneo para trigo).     

            Os pacientes com resultados negativos devem ser diagnosticados com  sensibilidade ao glúten não celíaca. Eles se beneficiam sintomaticamente com uma dieta livre de glúten, mas devem ser informados de que a sensibilidade ao glúten não celíaca é uma entidade clínica reconhecida há pouco tempo, cujo curso natural e cuja fisiopatologia ainda não são totalmente compreendidos".

 
Comentários
Saúde em FocoOlá, me chamo Marcelo Dotti e a partir de hoje estarei participando de uma coluna dedicado a você, caro leitor. Sou médico formado pela Universidade Católica do Paraná, fazendo especialização (cirurgia Geral e endoscopia digestiva) na Santa Casa de Misericóridia de Curitiba e após no Institut Paoli Calmettes em Marseille, França (endoscopia digestiva). Mestre em ciências, na área do aparelho digestivo pela Universidade de São Paulo - USP . Atuei como médico do Corpo Clínico da Santa Casa de Curitiba até 2005. Desde 2006 moro em Campo Grande. Fui professor do curso de Medicina na UNIDERP nos anos de 2006 a 2008 e atualmente atuo como médico do Instituto do Aparelho Digestivo. Faço parte do corpo clínico da Santa Casa onde atuei como médico no serviço de cirurgia geral e endoscopia digestiva de 2006 até 2015
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