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24 de setembro de 2018 • Ano 7
Diretor de RedaçãoUlysses Serra Neto

Horário eleitoral ou plantão policial?

14 Set201809h07PorManoel Afonso

POLÍTICA  Ela sempre foi feita com meias verdades e mentiras inteiras. Mas com a  tecnologia  nas comunicações isso ficou latente. O papel do facebook, é forte para denunciar, mentir,  agregar, propagar ideias irônicas e agressivas. A tal ‘margem de erro’  das pesquisas, por exemplo, ironizada numa postagem com a foto da cantora Gretchen, mas identificada como a atriz Angelina Jolie!

PESQUISAS  Assunto batido mas  atual. Quem está em desvantagem chia criticando  critérios e incoerências nas comparações dos itens.  Pergunta-se: pesquisas manipuladas decidem as eleições? Influenciam no eleitorado até então indeciso que não quer perder o voto?  O pelotão de indecisos  não seria muito maior nestas eleições do que nos pleitos anteriores? Mas as ‘surpresas’ havidas em outras eleições  reforçam essa desconfiança.

ENFIM... É grande a possibilidade de termos um percentual recorde de votos brancos e nulos, além daqueles que simplesmente não se sentem motivados a sair de casa para votar. Claro que isso acabará favorecendo os candidatos estruturados, com mandato e que estão expostos na mídia, tendo portanto maior visibilidade. Essa diminuição do horário eleitoral houve só para proteger os políticos veteranos. O resto é conversa fiada.

A NOTÍCIA de que os medalhões do MDB já conversam com o pessoal do PT é uma prova da continuidade do sistema corrupto para derrotar a Lava Jato inclusive. Se você verificar a lista dos investigados  e daqueles que poderão cair na malha da justiça, não terá dúvidas de que não há interesse em moralidade administrativa. Esse é o Brasil que você quer? Dane-se então!

E AGORA?  É a pergunta inevitável após a operação Vostok da Polícia Federal que sacudiu o cenário eleitoral. As prisões – principalmente  - do deputado Zé Teixeira (PSDB), do conselheiro do Tribunal de Contas Marcio Monteiro,  de Rodrigo  Souza e Silva (filho do governador Reinaldo Azambuja) são as mais comentadas e fomentam especulações de toda espécie.

DESGASTES  Para os observadores, após o ‘tsunami’ que invadiu a praia do MDB prendendo o ex-governador Puccinelli inclusive, o PSDB pode também sofrer  efeitos devastadores  se não reverter  logo juridicamente a situação. O problema:  a opinião pública tem a leitura pragmática dos termos que permeiam o universo ‘juridiquês’.  Vai pesar também a postura do governador Reinaldo nesta prova de fogo.

COMPLICAÇÕES  A primeira delas já deu as caras na Assembleia Legislativa onde foi apresentado pela candidata ao senado Soraya Thronicke (PSL) e seu suplente Danny Fabrício (PSL) – pedido de impeachment do governador Reinaldo. Evidente, o fato será explorado politicamente na tramitação, o que é próprio do legislativo. Mas o insucesso previsível do projeto não evitará os desgastes.

PREVISÕES   O MDB  aproveitará para endurecer o discurso ao estilo ‘Bolsariano?’  As opiniões no saguão da Assembleia Legislativa unânimes: não pode e nem deve fazer isso por razões políticas óbvias. MDB e PSDB  parceiros  nos projetos administrativos, com os deputados emedebistas  enaltecendo essa postura pela governabilidade.  Aliás, ao visitar na Itália a igreja em Assis, (terra de São Francisco de Assis) lembrei  bem das relações políticas e de poder.   

JUIZ ODILON  O candidato ao Governo do PDT deve sim mudar o tom do discurso nas entrevistas e no horário eleitoral.  Concorrente direto do candidato Reinaldo (PSDB)  nas pesquisas – insistirá no mote do combate a corrupção para viabilizar educação, saúde e segurança. Aliás, isso já é feito de modo mais contundente pelos concorrentes   Marcelo Bluma (PV) e João Alfredo (PSOL). Um filão que pode render votos.

‘ESCONDIDINHOS’  Aqui, dois partidos ‘esquecendo’ de seus respectivos candidatos a Presidente da República. A desculpa seria a regionalização do debate. Mas não é bem assim: o candidato Henrique Meirelles (MDB) pouco acrescenta ao partido no Estado e palidez do estilo de Alckmin (PSDB) não é aditivo energético de campanha. Na outra ponta o candidato Ciro Gomes (PDT) vem dando força  notável à candidatura do Juiz Odilon (PDT) ao Governo. Combustível que vem de fora e que funciona bem.  

 LONDRES MACHADO  No pleito de 2014 foi o cabo eleitoral dos 39.374 votos da filha Grazielle Machado (PSD) para a Assembleia Legislativa. Na capital foram 5.584 votos, Fátima do Sul 5.849 e Dourados 2.210. O tempo passou, mas  o ‘Chinês’ – hoje no PSD – jamais perdeu o contato com  suas bases onde tem bom trânsito  garantindo-lhe 12 mandatos.  Ao Londres estaria reservado importante papel  de articulador no futuro cenário eleitoral.

ESPERANÇOSO  Estive com Dorival Betini (PMB) postulante ao Senado e que vem crescendo nas pesquisas . Aposta que possa continuar recebendo cada vez mais votos de eleitores ainda sem o 2º voto ao Senado definido  ou sem identificação com seus  candidatos ao Senado. Municipalista por excelência, ele transita bem em todos segmentos da gestão pública. Sucesso.  

ESTATURA   O reconhecimento do fechado clube do Senado ao senador Pedro Chaves (PRB) mostra o seu preparo notadamente na área da educação. Após seu desempenho na relatoria da Reforma do Ensino Médio em 2017 e de projetos viabilizando recursos para implementação de escolas de tempo integral e elaboração do novo currículo escolar, foi guindado a presidência da Comissão de Educação. Anote: ele fará falta no Senado.

O PODER  Gente poderosa nos camburões da polícia, exposição pública que denigre, a honra no lixo, a família em situação humilhante e o ressarcimento de dinheiro aos cofres públicos.  Todos esses ingredientes compõem o quadro político brasileiro que mais parece um queijo tomado por ‘espertos’ sem limites, insaciáveis como mostram os casos de corrupção nos mais diferentes patamares da administração pública.

CORRUPÇAO  Apesar de enraizada nos ‘negócios públicos’ só agora  é vista com a grande praga a combater. Mas há fatores que favorecem a sua sobrevivência. É possível que os exemplos de punição rigorosa  intimidem a sua pratica, mas isso não será ‘vapt-vupt’. Exige sim a participação da população fiscalizando; do vereador  que frauda as diárias de viagem à capital, ao empreiteiro da obra superfaturada ou de qualidade ruim.  

RECLAMA-SE: ‘A justiça é lenta, acaba incentivando a corrupção’. Detalhe que precisa melhorar. Ainda agora tivemos o caso de Dourados, onde um episódio entre 1995 e 1997 naquela prefeitura municipal  só agora foi resolvido - com os ex-prefeitos envolvidos – Braz Mello (PSC) e Humberto Teixeira (PV) condenados a ressarcir quantias consideráveis, além de pagamento de multa e perda de direitos políticos inclusive.

QUE SITUAÇÃO! Foram 23 anos com o processo se arrastando e causando aquela preocupação angustiante aos envolvidos. O desgaste emocional incomensurável  e jamais recuperado mesmo se a condenação pecuniária envolvesse valor insignificante.  Não é por acaso que os ex-prefeitos  não escondem o temor pelas ‘pegadinhas’ que possam haver na futura apreciação das contas de suas gestões.

OUTRO CASO  Só após 16 anos o TRE da 3ª. Região decidiu pela condenação do ex-prefeito Jr. Mochi (MDB) no caso da construção do aterro sanitário de Coxim ( 2.002), devendo pagar  os valores referentes ao dinheiro da União gasto, multa e correção. O total perto de R$2.500 milhões. Para observadores de plantão é estranha a decisão da corte justamente quando Mochi  candidatou-se ao governo do Estado. Mero detalhe?  Para pensar.

ATENTEM!  O tempo em que os coronéis tocavam as prefeituras como se fossem suas propriedades é passado. A gestão pública tem suas regras que exigem conhecimento  técnico.  As verbas estaduais e federais oriundas de convênios por exemplo, precisam  ser aplicadas com critério sob risco de incorrer em penalidades. Esse, apenas um ângulo da gestão pública, caracterizada pela burocracia, carimbos e prazos.

BAÚ FORENSE  A Comarca de Sta Cruz de Corumbá, criada em 1873 e instalada em 19/02/1874, abrangendo Ladário e  Albuquerque. A sua história inicia com a construção do Forte Coimbra em 1775 e a fundação do povoado de N. Senhora da Conceição de Albuquerque em 1778.  Em 1862 foi elevado a Vila; em 1865 foi arrasada pelas tropas paraguaias e retomada em 1867 pelo cel Antonio M. Coelho. Em 1871 foi restaurado o município de Corumbá.  O Juiz titular em 1964 era Antonio Luiz Fraga Moreira.

“A arrogância que vem do poder é a mais desagradável”. ( Cícero)