Campo Grande •21 de Setembro de 2017  • Ano 6
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Da redação | Sexta, 25 de Agosto de 2017 - 15h22Suplementação continuada é alternativa para ganho de peso nos rebanhosAlém da nutrição, manejo e lotação por hectare podem beneficiar condição corporal dos bovinos

(Foto: Divulgação)

As condições da fazenda, as pastagens disponíveis e os objetivos da produção pecuária são fatores que devem orientar a opção por suplementar ou não a nutrição bovina, diz o professor e pesquisador Luís Ítavo, da Universidade Federal de MS. Ele é um dos palestrantes do 3º Simpósio Repronutri - Reprodução, Produção e Nutrição de Bovinos: a pesquisa aplicada ao campo, organizado pelo Grupo Repronutri, Embrapa e parceiros, e irá conversar com os participantes sobre o uso da suplementação para o aumento da produtividade do gado de corte e leite.

Segundo Ítavo, a suplementação alimentar animal é oferecida apenas durante os períodos de seca e escassez de pasto em muitas fazendas. O ideal, porém, seria que o suplemento fosse disponibilizado o ano todo (ou durante o maior período possível). “É um ajuste do sistema de produção. A suplementação vem como uma ferramenta para ajudar a atingir alguns objetivos produtivos, que precisam ser bem definidos. É um investimento que o produtor faz para manter o desempenho constante do rebanho”, afirma.

Objetivos e métodos - A suplementação bovina pode ser utilizada para que os machos atinjam a idade de abate aos 24 meses, chegando a aproximadamente 480 kg – cerca de 17 arrobas – nesse período, reduzindo em até um ano o tempo levado para o abate (em comparação com animais não suplementados, diz Ítavo).

É possível usá-la também para aumentar a precocidade das fêmeas, permitindo que elas cheguem ao peso e tamanho corporal adequados para a reprodução (o que, de acordo com o pesquisador, ficaria em torno de 350 kg ou 12 arrobas) aos dois anos de idade. “Se, ao final da estação de monta, a vaca estiver vazia, a estratégia é mandá-la para o abate, já que o animal vai ter a condição corporal adequada”.

Ítavo ressalta que é preciso estudar a produção como um todo para se definir se o objetivo é promover o ganho de peso dos animais ou aumentar sua precocidade. Depois, é necessário avaliar as alternativas para atingi-los, que envolvem não só a suplementação, mas técnicas como o manejo dos animais, disponibilidade de alimento e lotação nas pastagens.

Caso a suplementação seja uma opção adequada, o pesquisador sugere o uso de um suplemento proteico energético mineral (como a mistura entre o milho, farelo de soja, amireia e um núcleo mineral) para corrigir o que falta no pasto para os rebanhos e garantir um lote uniforme, bem-acabado.

“Hoje, uma prática comum é o uso de sal com ureia na suplementação, mas o sucesso disso depende muito da quantidade e da qualidade do pasto”, afirma. Ele sugere a amireia como alternativa. De acordo com o documento “Utilização da amireia na alimentação de ruminantes”, publicado por Ana Karina Dias Salman, pesquisadora da Embrapa Roraima (disponível neste link), a ureia é uma fonte importante de nitrogênio não-proteico, mas possui limitações como a baixa aceitabilidade dos animais e alta solubilidade no rúmen, que a transforma muito rapidamente em amônia. A amireia é o produto resultante da extrusão do amido com a ureia. Acredita-se que esse processo melhore o valor nutritivo da ração, aumentando a disponibilidade de amido.

Entretanto, a quantidade e o tipo de suplementação devem variar de acordo com a disponibilidade alimentar em cada época do ano, diz Ítavo. Os suplementos a serem oferecidos no inverno, por exemplo, levam menos fontes proteicas e mais milho na composição. Para escolher as melhores alternativas, é preciso realizar um diagnóstico da propriedade e planejar a execução das ações.

“Todo investimento em suplementação deve voltar em forma de arrobas. A escolha do que usar depende do preço do insumo e do desempenho que o animal vai ter com ele. Mais que o preço da arroba, importa o quanto eu gasto e o quanto o animal vai ganhar com aquele investimento”, diz o pesquisador.

“Uma arroba – que tem cerca de 30 kg de peso corporal – custa cerca de R$ 120, atualmente. Ou seja, cada quilo vale aproximadamente R$ 4. Mesmo se eu descontar um gasto de, digamos, R$ 1 para que o animal ganhe um quilo por dia, ainda estou recebendo cerca de R$ 3 em retorno. Ao mesmo tempo, podemos pensar que, em um ano, conseguimos produzir metade do peso de um animal – aproximadamente 10 arrobas em um animal por hectare. Se colocarmos dois animais por hectare, conseguimos menos ganho de peso com a suplementação em cada um: ao invés de ganhar 10 arrobas por ano, eles ganhariam cerca de 7, mas somariam 14 arrobas juntos. É preciso ver o que compensa mais em cada caso”.

Os custos com manutenção da propriedade, funcionários e impostos também devem entrar na conta dos investimentos escolhidos para aumentar a produtividade dos rebanhos, diz Ítavo. Com planejamento e tecnologia, o pesquisador afirma que é possível chegar ao ganho de 30 arrobas por animal/por ano. Porém, esse estágio mais avançado exige ações como adubação do pasto e um manejo mais intensivo da propriedade. “Para o produtor começar esse processo, ele pode colocar uma meta de 10, 15 arrobas ganhas por animal/ por hectare e galgar novos aumentos depois”, afirma. De acordo com Ítavo, é importante contar com o apoio de técnicos e profissionais que apoiem a tomada de decisão planejada, continuada e personalizada para cada propriedade como forma de otimizar os recursos.

O 3º Simpósio Repronutri - Reprodução, Produção e Nutrição de Bovinos: a pesquisa aplicada ao campo é uma realização do Grupo Repronutri, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e Uniderp.

Confira a programação e outras informações no portal repronutri.com.br .

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